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Vésperas de grandes mudanças sempre me soltam o intestino.

Eu sei, é desagradável começar um texto assim com um comentário tão constrangedor, mas a intenção é mesmo desviar a atenção de um assunto que pra mim é bem mais embaraçoso que o tempo no banheiro pensando na vida. Tô falando de despedidas. E agradecimentos.

Os planos de um mochilão pra Europa vêm desde meados de 2013, talvez até antes, mas foi em 2013 que pisei pela 1ª vez na Europa, ouvi a língua alemã pela 1ª vez com uma atenção especial, percebi que o velho continente enfim não era algo tão impossível e poderia ser muito, mas muuuito interessante de ser explorado! Mas foi só em maio de 2014 que oficializei o “Projeto Simbora” pra cair no mundo.

Nesse meio tempo, teve uma boa leva de gente que passou pela nossa vida e contribuiu com a concretização do projeto.
Teve, por exemplo, a galera que viajou comigo pra Bonito – MS em janeiro/2014 e me ensinou coisas importantes sobre viajar sozinha e acompanhada ao mesmo tempo! =]

Teve o cara do bem, mas chato, que sempre me irrita horrores e que, um dia, me desafiou – “Você já parou pra pensar em porquê vc come carne?” – e, apesar de eu já ter ouvido a pergunta antes, foi a implicância com ele que me fez realmente parar pra pensar no meu consumo.

E aquela que emprestou uma balança pra eu ir “ensaiando” a arrumação da mochila meses antes do embarque, permitindo que eu pesasse cada calcinha e meia pra garantir que a gente não carregasse muito peso.

Tem uma amiga da amiga que comprou mil coisas minhas e me incentivou a dobrar meu preconceito contra tereré… Tomei e amei! ❤

Tem aquela outra que eu já conhecia de grupos de amigos mas nunca tinha parado pra conversar direito e de quem, quando me dei conta, estava recebendo dicas valiosíssimas sobre investimentos na Bolsa de Valores! E olha que já fiz uns bons trocados desde aquele encontrinho com chá, guloseimas portuguesas e a companhia do cachorro mais meigo, tinhoso e gostoso do pedaço!

A disciplina com grana e capacidade de organização, a propósito, vieram da convivência de mais de 10 anos com um dos melhores amigos que a vida me deu. Uma pessoa que amo e por quem daria meus dois braços, sem nem pensar. Só amo.

Às vezes ouço das pessoas que sou inteligente. Acho que é o único elogio que gosto de ouvir. Quem me conhece sabe que não lido nada bem com congratulações e bajulações, mas admito que ser inteligente sempre foi algo que almejei. Tipo assim: na próxima vida, o que você quer ser? Inteligente, eu respondia. E, se tem mesmo esses respingos de inteligência que às vezes alguém nota em mim, é a meu pai e meu irmão que devo. Quando eu crescer quero ser que nem eles! \o/
A minha mãe é uma questão! A ela agradeço pelas orações e por meter o bedelho. Atribuições essas que já xinguei horrores e que hoje, carinhosamente, eu chamo de “boas vibes” e “intuição de mãe”.
Pra completar as estrelas da família tem a minha avó e minha madrinha, que são pra mim exemplo de paciência e preservação dos valores pessoais frente às turbulências da vida.
Mas a família toda – irmãos, tios, primos e agregados – trazem, cada um, uma lembrança de momento que me formou e incutiu valores que quero levar pra vida;

Saindo do momento família [de sangue], penso naquele grupo interessante de amigas com quem aprendo diariamente sobre “A Arte de Pedir”. E tem aquele amigo colorido que me ensinou, entre outras coisas, que glutamina faz muito bem para a imunidade! =D

A irmã de alma me vestiu, me alimentou, me empoderou, me deu canos, me emprestou amigos, me amou… tudo exatamente nos momentos que eu mais precisava de cada dica, comidinha, conselho, cano, amigo e amor.
E tem o amigo especial, que a irmã de alma emprestou. Aquele de quem roubo filosofias, boa música e manias legais – como a de não julgar.

Teve coleguinhas de redes sociais que nos acharam e mandaram algum apoio, mesmo nunca nos tendo visto. Um email simpático, uma mensagem engraçadinha pelo “Tem Açúcar?”, um item comprado pelo Instagram, um “Vai fundo” pelo Zapzap… olha, parece até que eu tô lidando bem com esse lance de ser antissocial, gente! =D
E ao falar em “Tem Açúcar?”, penso que a vida sempre me deu excelentes vizinhos! Em Ferraz, em Mogi ou em São Paulo… sempre tive uma baita sorte de ser cercada por gente de bem, com bom humor, bom gosto e disposição.

Tem uma jornalista de sobrenome chique que não sei bem como entrou na minha vida mas que não quero que saia nunca! Que sempre tem algo a me ensinar, seja consciente ou involuntariamente.

Tem também os veterinários excelentes que a Pipoca teve a sorte de encontrar, sempre com bom humor e sem frescura nos cuidados, para que ela não perca o que tem de melhor: ser cachorra!

Em especial, tem um estudante-de-veterinária-passeador-amante-de-bichos que topou a loucura de vir de longe só pra me ajudar a perceber que a Pipoca é super dócil e social, e frizar que a antissocial dessa relação sou eu… =D

Recém-chegado ao meu coração, tem um moço que, em pouco tempo, já me ensinou um bocado sobre Vida, Alemanha e Fotografia. Ele, mesmo sendo gringo (ou talvez por isso mesmo), me deu uns insights valiosos sobre minha amada Sampa.
Então, pensando no meu relacionamento de amor e ódio com minha cidade, eu lembro do idealizador do Couchsurfing. Embora o ideal tenha se perdido bastante no aplicativo-ferramenta atual, devo admitir que foi através dele que conheci e vou conhecer muita gente incrível pelo mundo afora, e que, apesar dos pesares, ajuda a manter minha esperança num mundo que às vezes eu acho que só existe em sonho.

Sabe a “galera do colégio / facul / pós”? Da minha, só sobrou meia dúzia de gatos pingados, que não vive na minha vida, mas aparece vez em nunca pra lembrar que amizade pode até envolver, mas definitivamente não é sinônimo de grude.
E, se no meio acadêmico a acumulação de amigos foi um fiasco, nas relações de trabalho o cenário foi ainda mais desanimador… Mas… fica o orgulho gigante da formação profissional cultivada por 10 anos num ambiente onde meus valores foram ouvidos, respeitados e, em 99% do tempo, compartilhados. Foi lá que aprendi sobre a importância da liderança. E admito que ainda tá doendo esse 1% que não pude viver junto.
Do trabalho, ainda, muita satisfação em pensar na amiga funkeira que destruiu bonito minha cabecinha preconceituosa. E naquela que largou tudo pra buscar um sonho num lugar distante. E ainda naquela com quem me encontro às vezes pra falar da vida (nossa e dos outros), tomar café e falar de viagem.

É, é uma senhora turminha a quem tenho que agradecer, por terem trabalhado comigo (mesmo sem saberem) nesse projeto que tá encerrando uma etapa e iniciando outra agora. E é bem legal colocar no papel e ver que a corrente é bem maior do que a gente pensa, e notar que não precisamos estar sozinhas, embora às vezes isso seja saudável e necessário.

Tamos nessa aí, iniciando uma nova fase. E aquele papo que alguns já me ouviram falar de que “queremos querer voltar” já é passado. Pensar nessa corrente do bem já nos colocou no segundo querer. Só que a gente tem que primeiro ir pra depois voltar, né? E, reconheço, tamos bem ansiosas com esse próximo passo.

Valeu, gente!

PS.: Prometo tentar escrever menos nos próximos posts.

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